INSEGURANÇA NA ORGANIZAÇÃO DE GRANDES EVENTOS

 

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Organizar um evento, seja ele pequeno, médio ou de grande porte, está muito longe de ser apenas escolher um espaço, contratar fornecedores, preparar uma programação e enviar convites. Por trás de cada congresso, feira de negócios, show, evento corporativo ou celebração existe uma estrutura complexa de decisões que precisam ser tomadas com antecedência. Segurança, capacidade do local, documentação, fornecedores, circulação do público, condições climáticas, estacionamento, banheiros e inúmeras outras questões fazem parte de uma operação que, quando bem planejada, muitas vezes passa despercebida pelos participantes. Mas basta uma falha para que todo esse trabalho ganhe uma dimensão completamente diferente.

Esse foi o tema do episódio 51 do Insegurança em Pauta, programa apresentado pela Dra. Segurança Jô Dvoranovski. Para conversar sobre os desafios e as responsabilidades envolvidos na organização de eventos, o programa recebeu Paulo Octávio Pereira, conhecido no mercado como P.O., diretor executivo da UBRAFE, profissional com aproximadamente duas décadas de experiência no setor. Durante a entrevista, ele compartilhou vivências acumuladas ao longo da carreira e apresentou uma visão bastante objetiva sobre os riscos que podem comprometer um evento, desde problemas aparentemente simples até situações capazes de colocar pessoas em perigo.

A conversa mostra que, independentemente do tamanho ou do formato, todo evento exige planejamento. Mais do que isso, exige profissionais capazes de antecipar problemas, compreender responsabilidades e enxergar a experiência do participante como um todo. Afinal, para quem está presente, o evento não começa quando as portas se abrem e tampouco termina no momento em que a programação oficial chega ao fim.

Quem deseja conhecer em detalhes as reflexões e os exemplos apresentados por Paulo Octávio Pereira pode assistir ao episódio completo do Insegurança em Pauta no YouTube.

Assista à entrevista completa no canal Insegurança em Pauta

Eventos podem ser diferentes, mas os desafios têm a mesma essência

Ao longo da conversa, P.O. chamou atenção para uma percepção bastante comum entre pessoas que não trabalham diretamente com o setor. Muitos imaginam que eventos corporativos, grandes shows, feiras de negócios e iniciativas de entretenimento são universos completamente distintos. As diferenças, evidentemente, existem. Mudam o público, o propósito, a dimensão, a estrutura e a forma de operação. Mas, segundo ele, quando se observa a essência do trabalho, muitos dos desafios são semelhantes.

Com experiências acumuladas em eventos corporativos, entretenimento e feiras de negócios, P.O. explicou que o tamanho não é necessariamente o elemento que define a natureza dos problemas enfrentados por quem planeja uma operação. A própria definição acadêmica de evento ajuda a compreender essa ideia. Um evento pode ser entendido como a reunião de duas ou mais pessoas em torno de um objetivo comum. A partir dessa perspectiva, diferentes formatos passam a compartilhar uma característica fundamental: todos envolvem pessoas.

E trabalhar com pessoas significa lidar com necessidades, expectativas, comportamentos e riscos. É por isso que a organização de um evento precisa ir muito além daquilo que será visível no dia. A decoração pode estar pronta, o palco pode funcionar perfeitamente e a programação pode ter sido cuidadosamente preparada, mas isso não garante, por si só, uma experiência bem-sucedida. Existem muitas outras variáveis que precisam ser consideradas antes da chegada do público.

O trabalho começa muito antes do dia do evento

Uma das distinções mais interessantes feitas por P.O. durante a entrevista está relacionada à diferença entre produção e planejamento. Para grande parte do público, quem trabalha com eventos é visto como o profissional que está presente no local resolvendo problemas, acompanhando fornecedores e garantindo que tudo aconteça conforme o previsto. Essa é uma parte importante da operação, mas não representa toda a dimensão do trabalho.

Segundo ele, grande parte das decisões fundamentais acontece muito antes. Em alguns casos, o planejamento pode começar um ou dois anos antes da realização. Estratégias de marketing, decisões comerciais, ações de relacionamento, definições operacionais e avaliações de estrutura fazem parte de um processo que precisa ser construído com antecedência. Por isso, nem todos os eventos planejados por um profissional exigem sua presença física no dia da realização.

Essa percepção ajuda a entender por que a contratação de profissionais experientes pode fazer tanta diferença. Quem possui vivência no setor já enfrentou problemas, observou situações semelhantes e acumulou referências que permitem identificar riscos antes que eles se transformem em ocorrências reais. Muitas vezes, o valor desse conhecimento está justamente naquilo que o participante nunca chegará a perceber, porque o problema foi identificado e resolvido durante o planejamento.

O propósito precisa orientar a organização

Antes de escolher o local, contratar fornecedores ou definir a programação, é necessário compreender o propósito do evento. Essa é uma das ideias centrais apresentadas durante a entrevista. O objetivo da iniciativa precisa orientar todas as decisões que serão tomadas posteriormente, porque é a partir dele que será possível determinar qual estrutura é necessária, qual público se pretende receber e como a experiência deverá ser construída.

A quantidade de pessoas esperadas, por exemplo, não pode ser tratada como um detalhe secundário. Um erro bastante comum acontece quando o organizador trabalha com uma expectativa de público que não corresponde à capacidade real do espaço. Convidar 500 pessoas para um local que comporta 450, acreditando que parte dos convidados não comparecerá, pode parecer uma solução aparentemente simples. Mas o planejamento não deveria depender da expectativa de que algumas pessoas desistirão.

Se existe a possibilidade de determinado público comparecer, a operação precisa estar preparada para essa realidade. A mesma lógica se aplica à alimentação, aos banheiros, ao estacionamento, ao controle de acesso e a todos os demais serviços. Quando a demanda não é corretamente compreendida, torna-se praticamente impossível dimensionar a estrutura necessária para atender às pessoas.

Para P.O., esse é um dos motivos pelos quais o profissional especializado não deveria ser visto apenas como alguém encarregado de executar ordens. Sua experiência precisa ser considerada também na construção do projeto. Em determinadas situações, será necessário dizer que aquele formato não funciona, que o local escolhido não é adequado ou que o horário precisa ser modificado. Esse olhar crítico faz parte do planejamento.

Segurança física não pode ser tratada como um detalhe

A segurança física continua sendo uma das principais preocupações na organização de qualquer evento. Durante a entrevista, P.O. lembrou que problemas relacionados à documentação, às condições das estruturas, ao controle de acesso e às rotas de fuga ainda representam riscos importantes.

Antes de qualquer preocupação estética ou comercial, é necessário verificar se o espaço escolhido possui as condições necessárias para receber o público. Entre os documentos básicos mencionados na conversa estão o alvará de funcionamento e o AVCB, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. Mais do que simplesmente solicitar esses documentos, é importante verificar sua validade.

Essa recomendação parece óbvia, mas a experiência relatada por P.O. demonstra que situações irregulares podem acontecer. Por isso, a segurança não pode ser baseada apenas na confiança ou na aparência do local. Um espaço bonito, moderno ou conhecido não substitui a necessidade de verificar se ele está regularizado e preparado para receber a operação que se pretende realizar.

A escolha do local precisa considerar também a capacidade, os acessos, as condições sanitárias e a infraestrutura disponível. Todos esses elementos influenciam diretamente a segurança e a experiência das pessoas.

O menor preço nem sempre representa a melhor escolha

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi a discussão sobre a transferência de responsabilidades entre empresas e fornecedores. P.O. relatou o caso de uma feira de negócios realizada em São Paulo em que um estande caiu e atingiu pessoas que estavam próximas à estrutura. Embora as vítimas tenham sido atendidas e o episódio não tenha provocado consequências físicas ainda mais graves, a ocorrência levantou uma série de questionamentos importantes.

Depois de atender as pessoas envolvidas, surge a necessidade de compreender o que aconteceu. E é nesse momento que aparecem questões relacionadas à responsabilidade. Quem deveria responder pela estrutura? Quem contratou quem? Havia seguro? A cobertura era suficiente? As responsabilidades estavam claramente definidas?

Segundo P.O., situações como essa podem revelar uma cadeia de transferências em que cada empresa entende que determinada obrigação pertence a outra. A empresa A transfere para a B, que transfere para a C, que por sua vez aponta para outro fornecedor. Quando acontece uma ocorrência, surge a pergunta inevitável: afinal, quem era o responsável?

Essa discussão também leva a outro ponto fundamental. A busca pelo menor preço pode produzir consequências que não são percebidas no momento da contratação. Uma proposta mais barata pode significar uma cobertura de seguro menor, a ausência de determinados serviços ou uma estrutura que não oferece as mesmas garantias.

Economizar é uma preocupação legítima em qualquer projeto. Mas a análise não pode se limitar ao valor final apresentado em uma proposta. É preciso compreender exatamente o que está sendo contratado, quais responsabilidades estão envolvidas e quais riscos podem estar sendo assumidos.

A segurança das pessoas é um limite inegociável

Ao falar sobre sua experiência no setor de entretenimento, P.O. compartilhou um princípio que resume uma parte importante da discussão sobre organização de eventos: existe um limite que não pode ser ultrapassado quando a segurança das pessoas está envolvida.

Criatividade, tecnologia e experiências diferenciadas podem fazer parte de um grande evento. É possível criar estruturas surpreendentes, atrações impactantes e formatos inovadores. Mas tudo isso precisa acontecer dentro de condições que garantam a proteção das pessoas presentes.

A segurança não pode ser reduzida a mais um item da planilha de custos. Quando uma decisão passa a comprometer a integridade física de participantes, trabalhadores ou fornecedores, ela deixa de ser apenas uma escolha financeira.

Essa reflexão ganha ainda mais importância em um mercado que, muitas vezes, valoriza aquilo que é espetacular e visível. O público percebe o palco, os efeitos, as atrações e a estrutura. Mas existe um enorme conjunto de decisões invisíveis que sustenta a realização de um evento seguro. E são justamente essas decisões que precisam ser tomadas com responsabilidade.

A pandemia ampliou o conceito de insegurança nos eventos

Se os riscos físicos continuam presentes, os últimos anos acrescentaram uma nova dimensão à discussão. A pandemia provocou uma transformação acelerada no setor e obrigou organizadores, empresas e participantes a incorporarem novas ferramentas e formatos.

Durante esse período, reuniões virtuais, transmissões ao vivo e plataformas digitais passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. Tecnologias que já existiam ganharam uma utilização muito maior. O resultado foi o fortalecimento dos formatos híbridos, em que parte da experiência acontece presencialmente e outra parte ocorre no ambiente digital.

Para P.O., esse foi um aprendizado importante deixado pela pandemia. O profissional que organiza eventos precisa, hoje, trabalhar com duas mentalidades. Existe a dimensão presencial e existe a dimensão digital.

Essa transformação ampliou também o universo das preocupações relacionadas à segurança. Antes, o foco estava concentrado principalmente no ambiente físico. Licenciamentos, acesso, prevenção de incêndios, estruturas e circulação de pessoas eram algumas das principais questões.

Agora, o evento pode envolver dados, plataformas digitais, transmissões e novos tipos de vulnerabilidades.

Dados, invasões e manipulação de conteúdos

Quando um evento reúne centenas ou milhares de participantes, uma grande quantidade de informações pode circular durante o processo de inscrição e realização. Dados pessoais precisam ser tratados com responsabilidade, o que acrescenta uma nova camada de atenção à organização.

Além disso, o ambiente digital está sujeito a situações que não existiam na mesma proporção nos eventos exclusivamente presenciais. Uma transmissão pode ser invadida, o controle de um sinal pode ser comprometido e conteúdos podem ser manipulados.

P.O. mencionou, durante a conversa, inclusive, as preocupações relacionadas aos deepfakes. A tecnologia permite a criação ou alteração de imagens e sons que podem não corresponder àquilo que realmente está acontecendo. Para um evento transmitido digitalmente, esse tipo de risco representa uma preocupação que precisa ser compreendida.

O desafio é que o setor ainda está construindo conhecimento específico sobre essa nova realidade. A tecnologia avançou rapidamente, mas a formação e a preparação dos profissionais nem sempre acompanharam a mesma velocidade.

Muitos organizadores aprenderam a trabalhar com esses formatos durante a pandemia, em uma espécie de aprendizado forçado. Agora, o desafio é transformar essa experiência em processos mais estruturados e seguros.

Quanto maior a cadeia de empresas, maior pode ser a complexidade

Quando se fala em grandes eventos, a imagem mais comum é a de um estádio lotado ou de um festival com milhares de pessoas. Mas P.O. chamou atenção para uma característica importante das grandes feiras e congressos.

Uma feira de negócios pode envolver um número enorme de empresas e fornecedores. Existe o proprietário do espaço, o organizador, os expositores, as montadoras de estandes e diversas outras empresas que participam direta ou indiretamente da operação.

Essa multiplicidade de participantes aumenta a complexidade das responsabilidades.

Um grande show pode reunir um público muito maior, mas sua estrutura principal pode estar concentrada em um número menor de organizações. Já uma feira pode contar com centenas ou milhares de expositores, cada um desenvolvendo sua própria operação dentro de uma estrutura maior.

É nesse contexto que a clareza das responsabilidades se torna ainda mais importante. Quanto maior o número de empresas envolvidas, maior pode ser a dificuldade para acompanhar todas as atividades e garantir que cada obrigação esteja corretamente definida.

Por isso, avaliar apenas a quantidade de pessoas presentes não é suficiente para determinar a complexidade de um evento. A quantidade de operações simultâneas e a diversidade de empresas envolvidas também precisam entrar nessa análise.

A experiência do participante começa antes da entrada

Uma das reflexões mais interessantes da entrevista está relacionada à forma como o público percebe um evento. Para o participante, a experiência não começa no momento em que ele atravessa a porta do local.

Ela começa antes.

Começa quando a pessoa recebe o convite, confirma sua presença e reserva aquele horário na agenda. Continua quando ela sai de casa, enfrenta o trânsito e procura uma forma de chegar ao destino.

Por isso, o organizador não pode imaginar que sua responsabilidade se limita ao espaço interno.

Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, o trânsito precisa ser considerado no planejamento. Marcar um evento para determinado horário sem avaliar as condições de deslocamento pode resultar em atrasos generalizados. Depois, o organizador pode descobrir que o público não chegou no horário esperado.

Mas esse problema também faz parte da experiência.

A escolha do local, do horário e das orientações enviadas aos convidados precisa considerar a realidade da cidade e do público.

O mesmo acontece com o estacionamento. Uma equipe de manobristas insuficiente para a quantidade de veículos pode provocar longas filas no momento da saída. E, mesmo que tudo tenha funcionado perfeitamente durante o evento, esse último problema pode se tornar a principal lembrança do participante.

Os pequenos problemas podem se transformar nas maiores lembranças

A experiência humana tem uma característica que merece atenção especial de quem trabalha com eventos. Muitas vezes, as pessoas se lembram com muito mais facilidade daquilo que deu errado.

Um evento pode oferecer uma excelente programação, bons conteúdos, uma estrutura sofisticada e diversos momentos positivos. Mas uma única experiência negativa pode se tornar o elemento mais marcante para quem participou.

P.O. utilizou exemplos do cotidiano para explicar essa lógica. Uma viagem de avião tranquila pode ser rapidamente esquecida. Mas a ocasião em que uma companhia perdeu uma bagagem pode permanecer na memória durante muitos anos.

Nos eventos, acontece algo semelhante.

As pessoas podem não lembrar de todos os detalhes positivos. Mas podem se recordar da comida que chegou fria, da longa fila para retirar o carro ou do problema que enfrentaram durante a experiência.

Isso não significa que os aspectos positivos não tenham importância. Significa que os organizadores precisam compreender como um único problema pode afetar a percepção geral do público.

É justamente por isso que detalhes aparentemente simples merecem tanta atenção durante o planejamento.

A visita técnica é indispensável

Quando o local do evento é desconhecido, a visita técnica não deveria ser considerada uma etapa opcional. Durante a entrevista, P.O. foi bastante enfático ao falar sobre a necessidade de conhecer pessoalmente a estrutura antes da realização.

Uma fotografia pode mostrar um ambiente bonito. Uma apresentação comercial pode destacar suas qualidades. Mas somente uma avaliação presencial permite observar determinadas condições de funcionamento.

Como estão os banheiros? Existe água suficiente para atender o público esperado? A pressão é adequada? O estacionamento comporta a quantidade de veículos? Como funcionam os acessos?

Essas perguntas precisam ser feitas antes da contratação.

Um local que atende perfeitamente um grupo pequeno pode não ser adequado para receber centenas de pessoas. Uma estrutura sanitária aparentemente suficiente pode se tornar um problema quando submetida a uma demanda muito maior.

A visita técnica permite que o organizador compreenda essas limitações e tome decisões antes que o público esteja no local.

Antecipar problemas exige experiência e empatia

Grande parte do trabalho de quem planeja eventos consiste em imaginar situações antes que elas aconteçam.

É preciso pensar na possibilidade de uma fila se formar antes que ela exista. É necessário avaliar a quantidade de água antes que o serviço seja insuficiente. É importante analisar o estacionamento antes que centenas de pessoas tentem sair ao mesmo tempo.

Essa capacidade de antecipação está diretamente relacionada à experiência, mas também exige empatia.

Colocar-se no lugar do participante ajuda o profissional a compreender como aquela pessoa viverá cada etapa do evento. Como será sua chegada? Onde estacionará? Quanto tempo ficará esperando? Encontrará banheiros adequados? Conseguirá sair do local sem enfrentar problemas?

Essa visão amplia o conceito de organização.

O evento não é apenas aquilo que acontece no palco ou na programação oficial. Ele é a soma de todas as experiências vividas pelas pessoas.

O planejamento precisa considerar também o inesperado

Nenhum planejamento consegue eliminar completamente todos os riscos. Existem situações que fogem ao controle e circunstâncias que não podem ser previstas com absoluta precisão.

As mudanças climáticas são um bom exemplo. Eventos realizados ao ar livre precisam considerar a possibilidade de chuva e vento. Isso não significa que todo evento deva ser planejado como se um fenômeno extremo fosse inevitável, mas também não é aceitável ignorar riscos previsíveis.

P.O. destacou que o planejamento trabalha com probabilidades e experiência.

Dados climáticos podem ser consultados. Históricos de determinadas épocas do ano podem ajudar na tomada de decisões. Profissionais que já enfrentaram situações semelhantes podem contribuir para avaliar os cenários possíveis.

O problema não está em reconhecer que existem variáveis impossíveis de controlar. O problema está em deixar de considerar riscos conhecidos.

Se existe a possibilidade de determinado fenômeno acontecer, o organizador precisa avaliar como sua operação responderá.

Ter profissionais experientes ao lado faz diferença

Para quem organiza um evento ocasionalmente, algumas recomendações podem parecer excessivas. Uma exigência adicional pode significar mais custos. Uma mudança no formato pode exigir novas decisões. Uma visita técnica pode parecer perda de tempo.

Mas a experiência do profissional está justamente em perceber aquilo que quem não trabalha diariamente com eventos pode não enxergar.

P.O. defende que empresas e pessoas precisam buscar o aconselhamento de profissionais que tenham vivência no setor. Essa experiência permite que situações já enfrentadas anteriormente sejam utilizadas como referência para novos projetos.

O contratante conhece seus objetivos e sabe o que deseja alcançar. O especialista conhece os riscos e as necessidades da operação.

Quando esses conhecimentos se complementam, o planejamento se torna mais consistente.

Em alguns momentos, o profissional precisará concordar com a ideia inicial. Em outros, será necessário alertar que determinada decisão pode trazer problemas. Essa capacidade de questionar faz parte de um trabalho responsável.

Segurança precisa estar presente desde o início

Uma das principais conclusões que podem ser extraídas da entrevista é que segurança não deve entrar no planejamento apenas quando o evento está próximo de acontecer.

Ela precisa estar presente desde o início.

A definição do propósito influencia a estrutura. A estrutura depende do público esperado. O público influencia a capacidade necessária. A escolha do local exige avaliação documental e técnica. Os fornecedores precisam ter responsabilidades claras. Os riscos precisam ser analisados.

Tudo está conectado.

Além disso, os eventos contemporâneos precisam considerar uma nova dimensão. A segurança física continua sendo fundamental, mas o ambiente digital também passou a exigir atenção.

Dados de participantes, plataformas de transmissão e sistemas utilizados durante eventos híbridos fazem parte de uma realidade que não pode mais ser ignorada.

Um evento seguro é resultado de muito trabalho invisível

Quando tudo funciona corretamente, o participante dificilmente percebe a quantidade de decisões tomadas para garantir que sua experiência seja tranquila.

Ele chega ao local, encontra uma estrutura preparada, participa da programação e retorna para casa.

É exatamente assim que deveria ser.

Por trás dessa aparente simplicidade, porém, existe um conjunto de decisões que começou muito antes. Houve planejamento, visitas técnicas, análise de capacidade, contratação de fornecedores, avaliação de riscos e definição de responsabilidades.

O trabalho invisível da organização é, muitas vezes, aquilo que impede que os problemas apareçam.

Esse é um dos grandes desafios da segurança. Quando ela funciona bem, pode passar despercebida. Mas basta uma falha para que sua importância se torne evidente.

Segurança e sucesso precisam caminhar juntos

A entrevista de Paulo Octávio Pereira no episódio 51 do Insegurança em Pauta apresenta uma visão importante sobre o setor de eventos. Organizar uma iniciativa bem-sucedida exige criatividade e capacidade operacional, mas essas características não são suficientes.

  • É necessário planejamento.
  • É necessário conhecimento.
  • É necessário compreender responsabilidades.
  • E é indispensável colocar a segurança das pessoas como prioridade.

Pequenos, médios ou grandes, os eventos podem assumir formatos completamente diferentes. Podem reunir algumas dezenas ou milhares de pessoas. Podem acontecer em um ambiente fechado, ao ar livre ou simultaneamente no espaço físico e digital.

Mas todos compartilham uma característica essencial.

Todos envolvem pessoas.

E cuidar da segurança dessas pessoas precisa fazer parte de todas as etapas da organização.

A entrevista completa com Paulo Octávio Pereira traz ainda outros exemplos, situações vividas no mercado e reflexões importantes para empresas, profissionais e pessoas que desejam compreender melhor os desafios da organização de eventos.

Para assistir ao episódio completo do Insegurança em Pauta, acesse o canal no YouTube.

Assista ao episódio 51: Insegurança na organização de grandes eventos

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