INSEGURANÇA NA MATERNIDADE

 

Capa do post sobre Insegurança na Maternidade

A maternidade é uma experiência marcada por amor, descobertas e transformação, mas também pode trazer dúvidas, medo, culpa, cansaço e solidão. A decisão de ter um filho, o impacto na carreira, o retorno ao trabalho e a necessidade de uma rede de apoio são questões que acompanham muitas mulheres durante essa jornada. Para falar sobre esses desafios, o canal Insegurança em Pauta recebeu Karen Volpato no episódio 53, intitulado Insegurança na Maternidade.
Karen Volpato é engenheira de formação, escritora, palestrante, mentora, empreendedora e CEO da Agente Educa. Com mais de 20 anos de experiência nas áreas de meio ambiente, saúde e segurança, ela também atua com cultura organizacional, saúde mental, desenvolvimento de lideranças, diversidade e inclusão. Mãe de duas meninas, Karen levou para a entrevista uma combinação de conhecimento profissional e experiências pessoais.

O medo de que a maternidade prejudique a carreira

Durante a conversa, Karen contou que sempre desejou ser mãe, mas que a decisão foi acompanhada por inseguranças relacionadas ao trabalho. Como havia construído uma carreira de crescimento rápido, ela se perguntava se a gravidez poderia reduzir suas oportunidades ou interromper sua trajetória profissional.
Uma das principais dúvidas era direta e angustiante: “Eu serei demitida se eu engravidar neste lugar?”. Segundo Karen, o ambiente profissional influencia muito a decisão das mulheres, especialmente quando elas não percebem acolhimento durante a gestação ou no retorno da licença maternidade.
A entrevistada explicou que uma cultura organizacional inclusiva pode fazer grande diferença. Ao trabalhar em uma empresa que contratava mulheres grávidas e oferecia apoio às gestantes, ela passou a sentir que poderia engravidar sem medo. Para Karen, as empresas precisam compreender que a maternidade não deve ser tratada como um problema ou como uma ameaça à produtividade.
Para conhecer melhor a história de Karen e entender como a cultura das empresas pode influenciar a vida das mães, .

A solidão dos primeiros meses após o nascimento

Karen também falou sobre as dificuldades enfrentadas depois do nascimento da primeira filha. Acostumada a uma rotina intensa como executiva, ela passou a cuidar de uma criança que dependia integralmente dela. Nesse período, dormir, tomar banho, comer e manter uma rotina básica se tornaram tarefas difíceis.
A entrevistada destacou que não ter uma rede de apoio não significa que a mulher precise enfrentar tudo sozinha. A solidão pode ser ainda maior quando a responsabilidade pelos cuidados fica concentrada sobre a mãe. Ela também contou que, durante a licença maternidade, não recebeu ligações ou mensagens do trabalho, o que aumentou a sensação de ter desaparecido da vida profissional.
Para Karen, as empresas devem manter uma comunicação respeitosa com as profissionais afastadas, sem exigir disponibilidade ou interromper o período de licença. Uma mensagem de acolhimento pode demonstrar que a mulher continua sendo reconhecida como parte da organização.

Culpa, opinião alheia e confiança na própria capacidade

Outro tema importante da entrevista foi o peso da opinião alheia. Depois que nasce uma mãe, muitas pessoas passam a oferecer conselhos, críticas e alertas sobre o que ela deveria fazer. Embora algumas orientações sejam bem intencionadas, o excesso de cobranças pode aumentar a insegurança e fazer com que a mulher duvide da própria capacidade.
Karen relatou que chegou a não tomar banho, não comer direito e permanecer de pijama por medo de que algo acontecesse com a filha. A experiência fez com que percebesse como a opinião dos outros pode interferir na rotina e na saúde emocional da mãe. “Acredite em você, porque a mãe sabe cuidar de uma criança”, afirmou.
A convidada também lembrou que muitas mães trabalham, cuidam dos filhos e conseguem cumprir diferentes responsabilidades, mas isso não significa que devam viver em exaustão. A rede de apoio precisa estar presente não apenas para dar conselhos, mas para oferecer ajuda prática, escuta e acolhimento.

Demissão, reinvenção e novos caminhos profissionais

Ao retornar da licença maternidade, Karen estava sob uma nova liderança e acabou sendo demitida depois do período de estabilidade. Ela explicou que o novo gestor não tinha a mesma relação profissional construída anteriormente e que a cultura da empresa não funcionou naquele momento.
Apesar da dificuldade, a demissão abriu espaço para uma reinvenção. Karen conseguiu uma nova posição em poucos dias, mudou de cidade com a família e, posteriormente, decidiu empreender. Hoje, utiliza sua experiência para ajudar empresas a desenvolver ambientes mais seguros, humanizados e preparados para lidar com a diversidade.
Uma de suas reflexões mais marcantes é que a maternidade não precisa representar o fim da carreira. “A maternidade não é perder emprego. É dar conta de uma forma mais precisa e fazer melhor a gestão do tempo”, declarou.

Segurança dentro de casa e no ambiente de trabalho

A conversa também aproximou a maternidade do tema da segurança. Com sua experiência profissional, Karen explicou que a chegada de uma criança faz a família observar a casa com mais atenção. Escadas, piscinas, tomadas, quinas e outros elementos passam a ser avaliados como possíveis fontes de perigo.
No ambiente de trabalho, ela defendeu que as empresas não podem depender apenas da atenção perfeita dos funcionários. Pessoas se distraem, interpretam situações de forma equivocada e cometem erros. Por isso, é necessário criar barreiras, proteções e procedimentos que reduzam as consequências de uma falha.
“Porque, se tem ser humano, tem insegurança”, afirmou Karen. Para ela, as organizações que apenas punem o trabalhador depois de um acidente não evoluem em sua cultura. A prevenção exige identificar os riscos, compreender por que o erro foi possível e tornar o ambiente mais seguro.

Saúde emocional, amamentação e rede de apoio

Karen compartilhou ainda experiências difíceis relacionadas à amamentação. Ela contou que enfrentou mastite, dor intensa e sofrimento emocional em suas duas gestações. Em determinado momento, precisou buscar apoio psicológico, médico e especializado para conseguir atravessar a situação.
A entrevistada criticou a culpa imposta às mães e afirmou que cada mulher deve ser respeitada em suas decisões. Para ela, ninguém deve opinar de forma condenatória sobre a maternidade de outra pessoa. A rede de apoio precisa ajudar sem controlar, oferecendo descanso, alimentação, cuidado com o bebê e presença.
Karen resumiu essa postura ao falar sobre uma rede de apoio que sabe acolher sem impor: “Você ter essa rede de apoio que cala, mas apoia.” Ela também reforçou que a saúde mental precisa receber a ajuda certa no momento certo.

O que as empresas podem fazer pelas mães

Ao falar sobre soluções práticas, Karen defendeu a organização do tempo, a criação de rotinas, a flexibilidade da jornada e a preparação das lideranças. Para ela, as empresas precisam compreender que a maternidade não termina quando a mulher retorna ao trabalho.
A profissional também destacou que não basta oferecer uma sala de amamentação. É preciso evitar o isolamento, garantir privacidade, respeitar os horários e permitir que a mãe continue integrada ao ambiente profissional. A organização deve avaliar a experiência completa da trabalhadora, incluindo a postura da equipe e da liderança.
No futuro, segundo Karen, as empresas que desejarem atrair e manter mulheres precisarão oferecer flexibilidade, oportunidades de crescimento e processos educativos. “As empresas que vão reter essas mulheres no futuro são empresas que têm uma jornada flexível”, afirmou.

Uma entrevista para mães, famílias e empresas

O episódio 53 do Insegurança em Pauta apresenta uma conversa honesta sobre os desafios emocionais, profissionais e práticos da maternidade. Karen Volpato fala sobre o medo de perder o emprego, a solidão, a culpa, a amamentação, a importância do autocuidado e a necessidade de construir ambientes mais seguros.
A entrevista mostra que a insegurança não deve ser tratada como fraqueza. Ela pode indicar que uma mãe precisa de ajuda, que uma família precisa reorganizar sua rotina ou que uma empresa precisa rever sua cultura. Por isso, o conteúdo é relevante não apenas para as mães, mas também para companheiros, familiares, profissionais de recursos humanos e lideranças.
Para conferir todos os relatos e reflexões de Karen Volpato, . O episódio é um convite para pensar em uma maternidade com menos culpa, mais apoio e melhores condições para que as mulheres possam cuidar dos filhos sem deixar de cuidar de si mesmas.

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