INSEGURANÇA NA ENGENHARIA CIVIL

 

Capa do programa sobre Insegurança na Engenharia Civil

A construção de uma casa, a reforma de um imóvel ou a execução de uma grande obra costumam ser associadas a planejamento, investimento e realização de sonhos. No entanto, quando decisões técnicas são tomadas sem orientação profissional, a obra pode se transformar em uma fonte de riscos, prejuízos e insegurança. Para discutir esse tema, o canal Insegurança em Pauta recebeu o engenheiro civil Fulvio Lolato no episódio 54.
A entrevista também marcou a celebração de 10 mil inscritos no canal. Com cerca de 30 anos de experiência em obras e aproximadamente 2 milhões de metros quadrados construídos, Fulvio atua desde 2015 nas áreas de perícia, consultoria e construção civil. Seu trabalho envolve casas, condomínios, prédios, instalações industriais, obras de infraestrutura e edificações de grande porte.
Durante a conversa, apresentada por Joelma Dvoranovski, o engenheiro analisou os riscos de obras realizadas sem projeto, cálculo ou fiscalização. Ele também explicou por que a contratação de um profissional habilitado não deve ser vista apenas como um custo, mas como uma forma de evitar problemas estruturais e gastos muito maiores no futuro.

O hábito brasileiro de fazer o puxadinho

Um dos primeiros assuntos abordados foi o costume de construir ou ampliar imóveis por conta própria. Fulvio explicou que esse comportamento está relacionado a questões familiares e sociais. Muitas pessoas constroem um quarto, uma edícula ou até novos pavimentos para acomodar familiares ou gerar renda.
O problema surge quando a obra é executada sem projeto, sem regularização e sem acompanhamento técnico. Segundo o engenheiro, é possível encontrar nas periferias imóveis com três, quatro, cinco ou mais pavimentos, construídos em terrenos pequenos e sem projetos adequados de estrutura, hidráulica ou instalação elétrica.
Em alguns casos, a construção permanece de pé por circunstâncias favoráveis, mas isso não significa que seja segura. Fulvio observou que o concreto armado possui grande resistência, mas não pode ser tratado como uma solução milagrosa para compensar a falta de planejamento.
Para entender melhor os riscos de uma obra feita sem orientação especializada, .

Materiais inadequados podem comprometer a estrutura

Ao relatar situações que presenciou em obras, Fulvio contou que alguns profissionais utilizam materiais de maneira inadequada ou repetem procedimentos aprendidos em outros trabalhos sem compreender as diferenças entre cada projeto.
Ele citou o caso de uma obra em que foi utilizada água retirada do subsolo para preparar concreto ou argamassa. Essa água pode conter minerais e outros elementos presentes no solo, comprometendo a resistência do material. Em outro exemplo, um muro de arrimo apresentou problemas depois que foram utilizadas água inadequada e pedra sem o devido cuidado.
O engenheiro explicou que o conhecimento dos materiais e das técnicas é indispensável. Uma escolha aparentemente simples pode alterar o desempenho do concreto, provocar fissuras, reduzir a durabilidade e colocar a segurança da construção em risco.
A orientação é especialmente importante para quem pretende reformar ou ampliar a própria casa. Antes de retirar uma parede, construir um novo cômodo ou alterar uma laje, é fundamental verificar se a intervenção interfere na estrutura do imóvel.

Infiltrações, trincas e problemas que se tornam caros

A entrevista também tratou de problemas comuns em casas e condomínios, como infiltrações, bolhas na pintura, trincas e umidade. Fulvio contou que obras feitas muito próximas de imóveis vizinhos podem provocar danos quando não são adotadas medidas adequadas de proteção.
Ele explicou que até uma mudança aparentemente simples, como fechar uma porta e abrir outra em local diferente, pode provocar trincas se a técnica e os materiais não forem utilizados corretamente. O problema pode começar como uma marca na parede, mas evoluir para uma reforma complexa e dispendiosa.
Muitos desses prejuízos poderiam ser evitados com planejamento e orientação antes do início da obra. O custo de uma avaliação técnica costuma ser menor do que o valor necessário para corrigir uma estrutura comprometida, refazer acabamentos ou reparar danos causados a imóveis vizinhos.
Por isso, a recomendação deixada no programa é clara: quem pretende construir ou reformar deve procurar um engenheiro civil. .

A falta de qualificação técnica nas obras

Ao responder sobre os desafios das obras de grande porte, Fulvio destacou a falta de qualificação técnica como uma das principais preocupações atuais. Uma construção depende de uma cadeia de profissionais, que inclui ajudantes, pedreiros, eletricistas, líderes e mestres de obras.
Em empreendimentos maiores, essa cadeia precisa funcionar de forma organizada, com responsabilidades bem definidas e acompanhamento constante. Quando a qualificação diminui, aumentam as chances de erros na execução, no uso dos materiais e na interpretação dos projetos.
O engenheiro também afirmou que os próprios profissionais de engenharia podem ficar limitados quando não têm contato suficiente com diferentes tipos de obra. Ao longo de sua trajetória, ele teve a oportunidade de trabalhar em metrôs, instalações industriais, condomínios, imóveis de alto padrão e grandes edificações. Essa experiência prática contribuiu para sua capacidade de identificar riscos e encontrar soluções.

O perigo dos tutoriais de construção na internet

Outro alerta importante diz respeito aos tutoriais disponíveis na internet. Muitas pessoas procuram vídeos para aprender a construir, instalar, reformar ou alterar um imóvel. O problema é que nem todo conteúdo publicado foi produzido por alguém com conhecimento técnico ou responsabilidade profissional.
Fulvio afirmou que já encontrou tutoriais ensinando procedimentos errados. Como não existe uma fiscalização efetiva desse tipo de conteúdo, uma orientação incorreta pode ser copiada por muitas pessoas antes que alguém perceba o risco.
A internet pode ser útil para pesquisa e informação, mas não substitui uma avaliação feita por um engenheiro. Cada obra possui características próprias, como tipo de solo, dimensões, cargas, materiais, instalações e condições existentes. Uma solução que funcionou em um imóvel pode ser inadequada em outro.

Fiscalização exige presença na obra

Para Fulvio, a fiscalização é um dos momentos mais importantes da atuação do engenheiro. É no local da obra que o profissional consegue observar a qualidade da execução, verificar os materiais e identificar situações que não aparecem apenas nos desenhos ou documentos.
O engenheiro afirmou que é preciso estar presente, acompanhar o concreto, observar a montagem, conferir as dimensões e verificar detalhes que podem comprometer o resultado final. Ele também ressaltou que a ausência do profissional nem sempre é uma escolha pessoal, pois alguns engenheiros são obrigados a acompanhar várias obras ao mesmo tempo.
Ainda assim, a falta de presença técnica aumenta a possibilidade de erros. Quando o responsável acompanha a execução passo a passo, ele pode corrigir um problema antes que ele se transforme em uma falha estrutural, uma infiltração ou um prejuízo para o proprietário.

Contratar um engenheiro pode representar economia

Muitas pessoas deixam de procurar um engenheiro porque acreditam que o serviço será caro. Durante o programa, Joelma comentou que esse receio também faz parte da realidade de muitos proprietários. Fulvio, porém, explicou que a contratação de um profissional pode tornar a obra mais econômica.
O engenheiro consegue avaliar os materiais, verificar a necessidade de reforços, orientar a execução e evitar que o proprietário gaste dinheiro com soluções inadequadas. Em um dos exemplos apresentados, ele conseguiu reduzir o custo de uma obra ao encontrar uma solução técnica mais eficiente para um condomínio.
O preço de uma parede, de uma laje ou de uma reforma não deve ser calculado apenas pelo valor da mão de obra. É preciso considerar a segurança, a durabilidade, a possibilidade de manutenção e os prejuízos que podem surgir caso o serviço seja feito de maneira incorreta.
Como resumiu Fulvio durante a entrevista, se uma pessoa procura um cirurgião para realizar uma operação, também deveria procurar um engenheiro quando pretende fazer uma intervenção que pode afetar a estrutura de sua casa.

A experiência de quem reformou sem orientação

O programa também ouviu uma participante da plateia, que contou ter realizado reformas sem contratar um engenheiro. Ela explicou que tomou essa decisão por falta de conhecimento e por acreditar que o serviço não caberia em seu orçamento.
Depois de transformar uma varanda em outro quarto, a proprietária enfrentou problemas de vazamento na união da laje. O serviço executado de maneira inadequada trouxe transtornos durante anos e mostrou como uma economia inicial pode resultar em um prejuízo prolongado.
O relato reforça a importância de buscar orientação antes de iniciar qualquer alteração. A avaliação técnica permite entender o que pode ou não ser feito, quais materiais devem ser utilizados e como a intervenção deve ser executada.

Segurança e responsabilidade na construção civil

A engenharia civil está diretamente relacionada à proteção das pessoas. Uma falha em uma estrutura pode causar perdas materiais, afetar vizinhos, comprometer a segurança dos trabalhadores e, em casos graves, colocar vidas em risco.
A responsabilidade pela segurança começa no planejamento e continua durante toda a execução. Projetos adequados, materiais compatíveis, profissionais qualificados, fiscalização e manutenção são etapas que não devem ser ignoradas.
O episódio 54 do Insegurança em Pauta mostra que a insegurança na engenharia civil muitas vezes nasce da improvisação, da falta de informação e da tentativa de economizar justamente na parte que deveria garantir a segurança. A orientação de Fulvio Lolato é simples e importante: antes de construir, reformar ou ampliar, procure um profissional habilitado.
Para acompanhar todos os exemplos e reflexões apresentados no programa, . O episódio é uma oportunidade para compreender melhor os riscos das obras sem orientação e a importância de investir em conhecimento, planejamento e responsabilidade técnica.

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